A História
 

            (...)A História de Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique-Chique começa no século XVI, onde fica nossa pré-história, com a descoberta de sua famosa ipueira, que distingue esta comunidade de suas congêneres, de todas as demais comunidades sanfranciscanas! A beleza das paisagens naturais do enorme arquipélago seria por si só uma fonte inesgotável de riqueza turística, a indústria mais promissora do moderno e globalizado planeta ao despontar das primeiras luzes do século XXI!

                Entramos em sua história propriamente dita através da famosa Fazenda Praia, de propriedade do fidalgo português Theobaldo José Miranda Pires de Carvalho, localizada na ponta da ilha, defronte à ipueira , onde nasceria o arraial, a freguesia, a vila e a cidade de Chique-Chique! É um capítulo poético, romântico, plástico, teatral, fabuloso, lendário, inesquecível! Nele incluem-se temas apaixonantes como a fixação pioneira de seres civilizados na ilha do Miradouro por volta de 1690, fazendo desse lugar a “Célula Máter” de nossa existência, a “Lenda do Tropeiro”  que manda construir a capela dedicada ao seu santo protetor  e a história fantástica da belíssima índia Felícia que se casou com o fidalgo português Alberto Pires de Carvalho, sobrinho do proprietário da Fazenda Praia, dando origem a épica Fazenda Tiririca, povo lindo e estóico!

                Chegamos à segunda parte desmontando um mistério: Chique-Chique tem 167 anos de Emancipação Política e não os 71 anos comemorados desde que o governador Vital Soares determinou que a sede municipal até 13 de junho de 1928 denominada de “vila” passasse a ser designada pelo título de Cidade!

                Falta   na   cultura   chiquechiquense   a   informação de que na nomenclatura juntarmos os dados todos, inclusive com a ajuda da maioria das informações passadas pelos próprios personagens que os vivenciaram e ainda vivenciam !

                Neste último quartel da história de Chique-Chique, para não fugir à regra, o fato mais intrigante é a mudança inexplicável da forma ortográfica com que  passaram a grafar o nome mais do que secular de CHIQUE-CHIQUE para XIQUE-XIQUE, sem nenhuma lei municipal, estadual ou federal que justifique tal mudança!

Ninguém, com idade suficiente, sabe explicar como se deu essa mudança gráfica.  Se o nome de nosso município sempre foi escrito CHIQUE-CHIQUE e todos os documentos, oficiais ou não, trazem a grafia original CHIQUE-CHIQUE. Aparece, pela primeira vez ,em um documento oficial, em janeiro de 1948 a expressão XIQUE-XIQUE, desacompanhada de qualquer amparo legal que justifique tal mudança repentina!

                Mas, as  gerações mais cultas do futuro, que se achem capazes de resolver o problema – da idade de nosso município -  (se antigo, a partir de 1832, ou jovem de 1928) será capaz de equacionar também, se devemos continuar sendo o nome de um cactus XIQUE-XIQUE  - que jamais existiu em abundância aqui, pois se ele existisse aqui com abundância,  não teria sumido facilmente, como se fora uma madeira de lei.  Como os europeus fizeram desaparecer o pau-brasil, por exemplo! Ou como fazem desaparecer o reflexo de uma beleza natural como a que havia na paisagem de nossa ipueira! E a maravilhosa paisagem aérea de nosso vasto arquipélago, hoje devastado junto com o próprio Rio São Francisco que nos cerca! A ipueira e o arquipélago nos fazem  CHIQUE duas vezes! Daí vem a palavra CHIQUE-CHIQUE!

                Estamos situados numa localidade bela e CHIQUE, ou no meio de uma vasta caatinga do cactus XIQUE-XIQUE  ?

                O futuro mais culto e mais preocupado com o nosso passado histórico decidirá com mais convicção ! Não nos seria possível isoladamente equacionar tão polêmicas questões, como se fôramos dono da verdade! Que se aproximem pessoas estudiosas, que queiram e possam se aprofundar nestas questões e achem as respostas histórica e cientificamente corretas!

Cassimiro Machado Neto
Autor do Livro "Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique-Chique" de 1999

 
Portal de Xiquexique - - Todos os direitos reservados.